Na primeira década do ano 2000 me recordo de haver lido o famoso livro “Quem
mexeu no meu queijo”, de Spencer Johnson e desde então, sempre me recordo
das lições dos ratinhos com seus queijos e labirintos, seus caminhos não tão
retos assim, as passagens, os prêmios e o que se almeja.

Assim e desde então, sempre que tenho uma situação complicada na vida
profissional ou pessoal, enxergo-me com um dos ratinhos em seu labirinto
correndo atrás do queijo, às vezes, alguém muda ele de lugar, mas às vezes
você o muda de lugar.

Meu trabalho nos últimos quinze anos foram cheios de experiências,
crescimentos, alegrias e êxito, porém, sentia, que precisava mexer no meu
queijo, antes que alguém mexesse por mim. Já estou com mais de 50 anos e
nesta altura da vida, não podemos e não devemos deixar que outras pessoas
mexam nosso queijo, é melhor e mais aconselhável que as mudanças ocorram por
sua própria vontade e não pela dos outros.

Já vinha me preparando há algum tempo para uma mudança, porém não conseguia
imaginar como ela seria e quais as consequências que ela traria, mas sempre
tive a certeza que tudo que nos acontece nos acontece para o melhor, ainda
que em um primeiro momento não resulte ser o melhor. Mas a certeza sobre
qual caminho tomar ocorreu logo no início de 2023, até então, não estava
certa de quando mexer no meu queijo, mas em uma de minhas viagens entendi
que o tema Sustentabilidade ainda não é muito bem explorado e aplicado por
todos. Poucos ainda reciclam seu lixo, muitas empresas não têm política de
sustentabilidade e, infelizmente, muitos acham Sustentabilidade e ESG uma
modinha. Mas o dia a dia mostra outra cara para nós. Para mim o que mais me
assombra e o que mais me impulsiona é a mudança climática, seus efeitos são
avassaladores e coloca nossa existência, nossa segurança alimentar na
berlinda, e absolutamente, mexe com o nosso queijo. Mas, foi apenas em uma
viagem em minhas férias de meio de ano que soube efetivamente o que fazer.
Tive a oportunidade de visitar o Deserto do Saara e de ver como lá, as
pessoas tem utilizado painéis solares para gerarem sua energia, o sol é
abundante então porque não usá-lo a nosso favor e justamente ali, tive uma
epifania e tudo para mim fez sentido de como eu deveria mexer no meu queijo.
Assim, no meu retorno certa de que aquele momento era o momento escolhido
para mexer o meu queijo e como ele seria mexido, me desliguei do escritório
que trabalhava e comecei o meu projeto. Escolhi com detalhe o nome, pois
queria que o meu negócio espelhasse o meu sentimento e meus valores, optei
por KAYAMUT, que significa SSUTENTABILIDADE em hebraico, e comecei a
construir, um a um, os serviços que ofereceria para os meus clientes,
baseados na minha experiência como advogada corporativa, de atendimento a
empresas de vários segmentos e tamanhos e na minha vontade de contribuir
para a criação de negócios que se sustentassem no tempo, que gerassem valor,
não só econômico, mas reputacional, que contribuíssem para a criação de um
mundo em que é possível conjugar lucro com preservação do entorno. Podem
achar minha história piegas, mas a verdade está aí, lá fora, e como diz
nosso amigo Raul Seixas, “…quem não tem visão bate a cara contra o
mundo…”, eu acredito que é possível mudar, construir algo diferente, pois
se seguirmos o mesmo modelo, não restará muito pelo que lutarmos, e nosso
queijo será comido de vez!!

Uma resposta

  1. Marcela, a importância de estarmos sempre atentos às mudanças e prontos para nos adaptar.
    A necessidade de buscarmos um equilíbrio entre o sucesso profissional e a responsabilidade social. Acredito que o seu exemplo pode inspirar muitas pessoas a redefinirem seus objetivos e prioridades, buscarem um propósito maior em suas carreiras e contribuírem para a criação de um mundo mais justo e sustentável.

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