SUSTENTABILIDADE, DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E RESPONSABILIDADE SOCIAL

Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa, SUSTENTABILIDADE é a
CAPACIDADE DE CRIAR MEIOS PARA SUPRIR AS NECESSIDADES BÁSICAS DO
PRESENTE SEM AFETAR AS NECESSIDADES DAS PRÓXIMAS GERAÇÕES.

O termo SUSTENTABILIDADE foi utilizado primeira vez para catalisar a
discussão sobre como proceder diante das crescentes pressões sociais, ecológicas e
econômicas.

Quando se fala de SUSTENTABILIDADE precisamos conjugá-la com
outros conceitos para que ela gere o efeito esperado no Mundo atual. Assim, os termos
RESPONSABILIDADE SOCIAL e DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL ganham importância
e trazem movimento à SUSTENTABILIDADE.

Ser SUSTENTÁVEL não tem somente base científica, mas leva-se em
consideração, para sua aplicação, o tempo, o lugar e o contexto, já que no Mundo as
decisões desta envergadura, estão interligadas e suas consequências geram uma relação
de interdependência.

Com as revoluções tecnológicas, educacional e cívica que marcaram o
Século XXI, as pessoas tendem a exigir empresas e Governos sejam TRANSPARENTES, e
ECOLOGICAMENTE RESPONSÁVEIS, o que significa na prática a preocupação ambiental
na hora de escolher e comprar produtos configurar-se-á como um direcionamento que
dificilmente será abandonado e que só tende a crescer.

Assim, da invenção da máquina de vapor, por James Watt, crescimento
da população, crescimento da renda per capita, aumento de emissão de Gases de Efeito
Estufa, mais do que nunca, os temas SUSTENTABILIDADE e DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL vêm sendo alvo de empresas que buscam a perenidade de seus negócios.
Segundo o Relatório Brundtland (The Brundtland Report, 1987),
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL é o desenvolvimento que endereça as necessidades
do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações de endereçarem suas
próprias necessidades.

Mas como administrar a SUSTENTABILIDADE com a geração de
negócios, de riquezas, empregos, preservando o meio ambiente e sem comprometê-lo
para as próximas gerações?

As décadas de 70 e 80, devido às grandes pressões sociais e políticas
sobre as empresas, trouxeram os desafios desta transição: melhorar a eficiência do uso e
fabricação de recursos mantendo o ecossistema e preocupar-se com a saúde, direitos,
inclusão do mercado de trabalho e do entorno social em que a empresa está inserida
Desta forma, o papel das empresas nesta construção é atuar na
intersecção com o econômico, social e ambiental, através de criações de negócios
sustentáveis e responsáveis.

O termo RESPONSABILIDADE SOCIAL surgiu em 1930 e evoluiu até
1960 com a origem dos Balanços Sociais que eram relatórios anuais que continham uma
visão geral dos resultados obtidos por meio de políticas sociais nas empresas.

Hoje ele é mais conhecido como RELATÓRIO DE SUSTENTABILIDADE e é
através dele que as organizações demonstram o que realizam por seus funcionários, pela
comunidade e pelo meio ambiente.

Sua função é tornar público as intenções socio ambientais da empresa,
divulgando informações qualitativas e quantitativas. Ética e transparência revelam o grau
de comprometimento com a Responsabilidade Social Empresarial e quando utilizamos
estas palavras nos referimos aos valores e princípios que norteiam as decisões de
determinada organização.

PILARES DA SUSTENTABILIDADE

A SUSTENTABILIDADE é composta por 03 pilares principais e a origem
desta ideia é atribuída ao Relatório Brundtland, já que somente em meados do final do
Séc. XX, houve uma definição moderna com uma linguagem global.

Após a 2ª Guerra Mundial persistiu o pensamento da necessidade de
desenvolver os países menos avançados e a Crise do Petróleo de 1973, deixou clara a
necessidade de limitar o crescimento Econômico, Social e Ambiental.

Historicamente, a evolução do conceito dos pilares da SUSTENTABILIDADE pode ser assim desenhado:

  • Década de 1950, com os conceitos desenvolvimento econômico-
    crescimento econômico;
  • Clube de Roma, 1972, Relatório Os Limites do Crescimento:
  • Nenhuma cega oposição ao progresso, mas oposição ao
  • progresso cego;.
  • Conferência de Estocolmo, 1972, marcou a primeira cúpula global
  • a considerar impactos humanos no meio ambiente. Foi a primeira
  • grande tentativa de conciliar o desenvolvimento econômico com
  • a integridade do meio ambiente que eram, até então,
  • incompatíveis.
  • Em 1978, Ignacy Sachs trouxe o conceito de
  • Ecodesenvolvimento, uma abordagem de desenvolvimento
  • ecologicamente correto num espírito de solidariedade com as
  • gerações futuras.
  • Em 1987, Comissão das Nações Unidas para o Meio Ambiente e
  • Desenvolvimento, publicou o Relatório “Our Common Future”-
  • Relatório Brundtland, uma nova era de crescimento econômico-
  • crescimento vigoroso e, ao mesmo tempo, social e
  • ambientalmente sustentável.
  • Em 1992-Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, apoio dos lideres
  • para o Desenvolvimento Sustentável-Declaração do Rio.
  • Em 1992, Agenda 21, defendeu crescimento e livre comércio,
  • vinculando Desenvolvimento Sustentável e Econômico com
  • proteção ao Meio Ambiente. Primeiros passos para os ODM e os
  • ODS.
  • Cúpula da Terra de 2002, trouxe a necessidade de promover a
  • integração dos três componentes do desenvolvimento
  • sustentável, econômico, social e meio ambiente, como
  • interdependentes e que se reforçam mutuamente como pilares.

Desta evolução até os dias de hoje a SUSTENTABILIDADE só pode ser
aplicada, desde que, atrelada aos seus pilares, que originalmente eram 03, mas que por
desdobramentos ou para acolher a realidade mundial, pode chegar a um número infinito.
Focaremos, aqui, nos 03 Pilares originais: ECONÔMICO, SOCIAL E AMBIENTAL.

PILAR ECONÔMICO:

Quando falamos de ECONOMICAMENTE SUSTENTÁVEL, trazemos o conceito de perenidade, de perpetuidade, de tal forma que haja um consumo consciente, que, esclarece-se, não é sinônimo de privação ou desconforto, mas sim o de consumir aquilo que é necessário e contribuir com a construção de um Mundo melhor, através deste consumo. Assim, consumir produtos que agridam menos o meio ambiente, não se tornam obsoletos com facilidade e que possam ter utilidade para outras pessoas que estes não no sirvam mais.
Dentro deste PILAR podemos romper o paradigma dos processos produtivos lineares que
conhecemos, que são altamente poluidores e que geram resíduos que podem levar muito
tempo para se decomporem. A necessidade de trazermos processos produtivos que
encerram em si um CÍRCULO (ECONOMIA CIRCULAR) é o mais indicado para minimizar
os desperdícios, seja através de reciclagem ou aproveitamento destes desperdícios. A
INOVAÇÃO também é fator crucial na construção de negócios sustentáveis e
responsáveis que respeitem os limites do planeta. Empreendedorismo responsável,
comércio justo equitativo e inclusão financeira, são indispensáveis na construção de um
mundo onde os recursos são finitos, mas onde os negócios devem ser prósperos.

PILAR SOCIAL:

A preservação do Capital Humano é a espinha dorsal deste Pilar. A promoção de uma sociedade justa se inicia com a EDUCAÇÃO de qualidade para construir as bases de soluções para os desafios de crescer-preservando. As relações de trabalho só serão mais justas quando, independentemente do gênero, todos tiverem as mesmas oportunidades de crescimento nos ambientes de trabalhos. A preocupação com a saúde e segurança do trabalhador, a preservação de seus direitos e o respeito às diversidades humanas, promovem a justiça social importante na construção de uma sociedade próspera.

PILAR AMBIENTAL:

Uma vez que compreendamos que somos interdependentes do que ocorre com o ecossistema fica claro que nossas ações devem ser planejadas a longo prazo e que todas as decisões tomadas hoje trarão impactos para as gerações futuras, assim, conservar a biodiversidade, mudar a matriz energética das empresas e casas, aproveitando os recursos naturais de cada região, desempenham e desempenharão
papéis importantes na sobrevivência do Homem. Hoje os impactos das alterações climáticas já se fazem sentir, com mini ciclones, desertificação e outros. Diminuição de pegada hídrica, acesso à água potável e de qualidade, deve ser objeto de uma gestão sustentável para conversar e proteger as fontes e água garantindo futuro das próximas gerações. Como somos Agro, a produção de alimentos é um ponto crucial, não só para nossa sobrevivência, mas para a preservação de nossa economia regional, as práticas de agricultura sustentável, com manejo de solo para evitar a degradação do solo, utilização de produtos biológicos no controle de pragas, promovem a conservação da biodiversidade e garante alimento para as próximas gerações. Reduzir, Reciclar e Reaproveitar são aliados para a redução da pegada ecológica que associados aos processos de Economia Circular poderão garantir a mitigação da poluição e restauração de ecossistemas.

Devido a sua importância no Mundo Moderno, a Kayamut entende ser necessário a inclusão de um 4º Pilar, o PILAR CULTURAL.

Quando falamos neste PILAR trazemos as complexidades das gerações, das tradições, das religiões, daquilo que nos diferencia como grupos humanos. Principalmente aqui no Brasil que é uma mistura étnica, onde cada um de nós somos formados por várias origens, a atenção neste PILAR é importante, pois graças a estas diversidades temos condições de construir sociedades mais justas. Valorizar as tradições regionais e respeitar as culturas locais é essencial para a riqueza de experiência humana.
Estamos próximos da ascensão da Geração Z ao poder aquisitivo e ao mercado de trabalho, conhecer como pensam e quais seus valores são importantes para a construção de negócios economicamente viáveis, já que, atender a esta geração garantirá a perpetuidade dos negócios. Preservar o patrimônio cultural, fomentar economias locais e promover educação cultural, solidifica uma sociedade apta a administrar os obstáculos de preservação para as próximas gerações.

Mas como introduzir a SUSTENTABILIDADE para a cultura da empresa e gerar valor econômico e reputacional? Através das POLÍTICAS DE SUSTENTABILIDADE, primeiro passo para que as empresas iniciem sua jornada neste caminho sem volta.

POLÍTICAS DE SUSTENTABILIDADE:

A SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL reúne um conjunto de ações e práticas desenvolvidas por uma empresa que visam o desenvolvimento sustentável para a empresa, para seus funcionários, para a comunidade em seu entorno, gerando impacto positivo, melhor desempenho e competitividade, promovendo a perenidade do negócio. Os resultados alcançados deverão ser compartilhados com todos os stakeholders.

O que se ganha com estas ações e práticas:

a) Redução dos custos operacionais;
b) Crescimento de receitas;
c) Aumento da visibilidade;
d) Geração de novas possibilidades de negócios;
e) Melhoria da qualidade de vida do funcionário e da Comunidade em
geral; e
f) Conservação e regeneração do meio ambiente

Trazemos aqui alguns exemplos de PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS que podem ser objeto de POLÍTICAS DE SUSTENTABILIDADE:
a) Seleção de fornecedores de maneira criteriosa;
b) Promoção de economia energética e uso de energia limpa;
c) Avaliar a arquitetura do local de trabalho;
d) Estar atento ao uso racional e eficiente da água;

Você enquanto pessoa física também pode implementar POLÍTICAS DE SUSTENTABILIDADE em sua casa, sua família ou em seu ambiente de trabalho ou de estudos, eis alguns exemplos:
a) Economia de água;
b) Evitar/reduzir uso de sacolas plásticas;
c) Preferência para produtos biodegradáveis;
d) Coleta de lixo seletivo;
e) Reciclagem;
f) Realização de trajetos curtos caminhando ou de bicicleta ou ainda adotar
transportes públicos ou caronas.
Os Governos e Entidades Governamentais também podem promover POLÍTICAS DE SUSTENTABILIDADE, vejam alguns exemplos:

a) Limitação do crescimento populacional;
b) Garantia de alimentação a longo prazo;
c) Preservação da biodiversidade e dos ecossistemas; d) Diminuição do consumo de energia;
e) Desenvolvimento de tecnologias que possibilitem uso de fontes energéticas
renováveis;
f) Aumento da produção nos países não industrializados à base de tecnologias
ecologicamente viáveis.

Em resumo, as POLÍTICAS DE SUSTENTABILIDADE são aplicáveis para todas as empresas, independentemente da atividade econômica, do regime tributário, faturamento, número de funcionários, já que o objetivo é a orientação para a geração de valor econômico-financeiro, ético, social, ambiental e cultural.

ESG-Environmental, Social e Governança ou ASG-Ambiental, Social e Governança

Se por um lado a SUSTENTABILIDADE conta com ações estratégicas o ESG determina os aspectos que vão qualificar essas ações aumentando as oportunidades de investimento.

O termo ESG teve início da década de 60, onde que por pressões
ambientais e sociais se inicia um movimento em prol de investimentos socialmente
responsáveis combinadas com análises econômico-financeiras com engajamento
ambiental, social e de governança corporativa.

Já na década de 70, o CED Americano se com a com a sociedade sob
outro viés, incluindo o bem estar dos funcionários. Inicia-se um olhar mais detido sobre o
aspecto social que permeia as relações de trabalho, com a atenção da segurança e saúde
do trabalhador.

A Teoria dos Stakeholders de Edward Freeman, surge na década de 80 e
defende a ideia de que o êxito e a perenidade do negócio só ocorrerão se alinhadas com
administração estratégica com suas partes interessadas (stakeholders), as corporações
deixam os interesses dos stockholders/shareholders e prestam atenção também nos
stakeholders, inicia-se a fase mais significativa do tema.

Porém, foi na década de 90, com a TRINOMIA – TREE BOTTOM LINE,
com o livro de John Elkington, Cannibals with Forks, que trouxe um novo olhar sobre o
tema, com a geração de valores de 100 bilhões de dólares para as empresas que se
preocupavam com o tema.

Ao adentrarmos ao Século XXI, mais precisamente em 2004, Who Cares
Win (Quem se Importa Ganha) surge para obter respostas das instituições financeiras
sobre como mitigar os fatores ESG, explodindo com as declarações da Black Rocks, em
2020, colocando o mercado financeiro, anunciando que o fundo retiraria todo e qualquer
investimento em negócios que não considerassem a atenção às diretrizes do ESG.
Mas ao final o que é o ESG? O ESG é uma ferramenta muito eficiente de
gestão de risco, ela oferece proteção para azeitar os processos da sua empresa e
melhorar o relacionamento com seus clientes, fornecedores, colaboradores e a sociedade
em geral. É mais que só contenção de risco, atender às diretrizes ESG pode oferecer
mais oportunidades de negócios e um valor reputacional gerando uma melhor
competitividade.

Fatores econômicos, guerras, conflitos, crises internacionais, inflação, políticas econômicas, retração do poder de compra, políticas de mercados, crises climáticas, secas, inundações, terremotos e mudança nas características do consumidor, são elementos que devem ser identificados de acordo com o perfil de cada corporação. Por este motivo as práticas e diretrizes ESG devem respeitar estas individualidades, assim, a materialidade de uma empresa não é igual a de outra, pois cada organização é um organismo vivo e a identificação, implementação e comunicação das práticas ESG, assim como a construção de suas estratégias, políticas, indicadores e métricas, devem ser materializadas, através de uma Matriz de Materialidade, e a partir daí construídas suas diretrizes, gerando valor reputacional, de credibilidade e de
diferencial de mercado.

Assim é importante que para cada empresa se desenhe qual o fator mais relevante a ser identificado e medido para compor seus informes, assim, temos alguns exemplos que podem ser trabalhados em cada elemento do ESG:

NO E: Na área ambiental os maiores desafios são as mudanças climáticas, o acesso aos
recursos hídricos, o aumento da poluição e a perda da biodiversidade.
NO S: Na área social, o direito dos trabalhadores, impactos na comunidade, responsabilidade com os clientes, saúde e segurança dos funcionários e a inclusão da diversidade.
NO G: Na área Governança relacionamento com todos os acionistas, gestão de riscos, transparência, ética e planejamento de longo prazo.

Como se verifica o ESG é de dentro para fora e os critérios de sua análise dependerão dos critérios que seus investidores consideram importantes, não existe um padrão global. Aplica-se o CAPITALISMO DE STAKEHOLDERS, ou seja, modelo de negócio que privilegia as partes interessadas ao invés do lucro, exclusivamente. Descarte, qualquer companhia que queira se manter competitiva, lucrar e prosperar e ainda garantir uma ótima reputação, vai precisar das diretrizes ESG.

DIFERENCIAÇÃO ENTRE SUSTENTABILIDADE E ESG:

Afinal, SUSTENTABILIDADE, ESG, o que elas têm em comum? Na essência, o ESG está dentro da SUSTENTABILIDADE, mas não é SUSTENTABILIDADE.

SUSTENTABILIDADE calça o caminho para o ESG, mas eles não se conversam. Ter POLÍTICAS DE SUSTENTABILIDADE na empresa não significa que vocês aplica diretrizes de ESG na sua empresa.

ESG não é: Sustentabilidade Corporativa, certificação, caridade, produto final. ESG é: processo de avaliação de risco do negócio. ESG é sobre transparência, identificação de risco e responsabilidade. É
sobre accountability (responsabilização), consiste na propriedade de prestar contas sobre suas ações aos Stakeholders.

ESG é financeiro e o seu foco é o risco do negócio financeiro para que os investidores, banco e seguradoras possam analisar estes dados e verificarem a viabilidade de se fazer ou não negócios com as empresas.

O ESG não vive sem a SUSTENTABILIDADE, mas a SUSTENTABILIDADE sobrevive sem o ESG.

Ontem palestramos sobre Sustentabilidade e ESG na UNIPAR Unidade de Cianorte, estivemos reunidas com as colegas @dyana_sanches.brianese @priscila_andreoti e @thaisesallesribeiro

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